Eleições 2016: resistir, denunciar, defender e recuperar os espaços institucionais

Esta é a palavra de ordem da Direção Nacional para os filiados e a militância petista, de acordo com a Resolução sobre as Eleições 2016, aprovada em 17 de maio de 2016:

Nesse sentido, as eleições deste ano, que se realizam paradoxalmente sob um golpe instalado no país, serão ao mesmo tempo uma frente de resistência, de denúncia e de defesa do nosso projeto, mas também de recuperação de espaços institucionais. (grifos nossos)

Resistir é não aceitar o golpe perpetrado por forças retrógradas, conservadoras, de direita, entreguistas, não dando tréguas ao governo ilegítimo de Michel Temer, ocupando as ruas, prédios, participando, organizando, apoiando as ações da Frente Brasil Popular, Povo em Medo, MST, as manifestações estudantis, da juventude.

Denunciar a todo momento, a toda hora o governo usurpador com suas medidas antipopulares, utilizando-se de todos os meios possíveis, seja nas redes sociais, nas rodas de conversa, aproveitando toda e qualquer oportunidade. Hoje, muitos daqueles que apoiaram o afastamento da presidenta, se envergonham do que se sucedeu, não esperavam tamanho retrocesso. E, a cada dia, fica mais claro para todos os brasileiros que o governo foi tomado de assalto, a democracia foi aviltada, golpeada, com consequências danosas e perversas para a ampla maioria da população. A máscara caiu. O vazamento da conversa entre Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, e Romero Jucá, uns dos mais próximos integrantes do círculo de conspiradores de Temer e principal articulador, na Câmara e no Senado, dessa farsa do impeachment, mostrou o verdadeiro objetivo do por quê de afastar a Dilma do governo.

Eu ontem fui muito claro. […] Eu só acho o seguinte: com Dilma não dá, com a situação que está.

(…)

Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então… Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir.

(trechos da fala de Romero Jucá)

Defender o projeto político que fez em 2002 “a esperança vencer o medo”, que operou, conforme bem classificou Leonardo Boff,  “uma revolução popular, democrática e pacífica conquistada no voto” porque “não ocorreu apenas uma alternância do poder, mas uma alternância de classe social”, isto é, “um representante dos ‘lascados’ e sempre colocados à margem chegou ao mais alto cargo da nação”. Graças a esta revolução milhões de brasileiros e brasileiras tiveram suas vidas transformadas, os “sem-direitos” passaram a ter direitos, não apenas no papel, assegurados na Constituição, porém nunca verdadeiramente efetivados. Com Lula, Dilma, o PT e seus aliados, houve uma ascensão na pirâmide social, permitindo que o trabalhador, o assalariado, os mais pobres e miseráveis, não só aspirassem a uma vida melhor, mais digna, mas passassem a ter a possibilidade real de usufruir dos bens de consumo que apenas alguns tinham direito: viajar, ter sua casa própria, ter seu carro, sua televisão, sua geladeira, ver sua filha, seu filho se formar numa universidade, ter seu diploma de “doutor”, ter seu emprego “de carteira assinada”. Esse é o legado que deve ser defendido por todos os homens de boa vontade, os que combatem o bom combate!

A luta não terminou. Não vamos baixar o estandarte. As eleições de 2016 são a nova trincheira, daí a Resolução de 17 de maio de 2016 falar em “recuperação de espaços institucionais”.

Através das vitórias que obtemos nos espaços institucionais, queremos acumular forças para aprofundar a democracia, melhorar a vida do povo e estabelecer uma contra-hegemonia na sociedade, a fim de fazer avançar nosso projeto de País.

Para alcançar êxito nas milhares de disputas que o PT irá travar em 2016, precisamos, desde já, construir as condições políticas aptas a promoverem um elevado grau de unidade interna e de mobilização, associados à formação e capacitação da militância.

O desafio está posto. Trata-se não só da sobrevivência de um partido, do PT, mas de um projeto político, social e econômico. Trata-se da vida de milhões de brasileiros e brasileiras, da defesa da primeira geração de crianças livre da fome e de garantir um futuro de oportunidades, digno e humano às que estão por vir. Por isso temos que nos manter mobilizados, continuar nas ruas e aproveitar o momento político eleitoral para resistir, denunciar, defender o projeto e recuperar espaços institucionais, no caso, as prefeituras municipais que estarão em disputa.

Para o PT isso significa “construir as condições políticas aptas a promoverem um elevado grau de unidade interna e de mobilização, associados à formação e capacitação da militância”. Nossos dirigentes têm uma grande responsabilidade na condução desta tarefa, senão essa Resolução será letra morta.

Construir as condições políticas é ser capaz de compreender o momento político atual, a conjuntura que está posta e que nos impõe, nos obriga a dar uma resposta contundente, firme contra o golpe que nos foi imposto. O pleito de 2016 será fundamental para dar uma resposta à altura, derrotando as candidaturas dos partidos que apoiaram e articularam o golpe. As eleições municipais de 2016 não será (e não poderá ser) uma campanha apenas para o debate local, onde os temas centrais se resumam a coleta do lixo, aos buracos nas ruas e vias da cidade, a falta de médicos e medicamentos nos postos de saúde, a mobilidade urbana, ao preço da passagem dos ônibus, a educação infantil, como se nada tivessem a ver com o que está acontecendo no cenário nacional. Deveremos aproveitar esse momento para denunciar o golpe, o ataque à democracia, aos direitos sociais, humanos, políticos e econômicos de todos os brasileiros. Tudo isto deverá pautar a agenda e os debates das eleições municipais, atingindo os corações e as mentes da população e dos eleitores que precisam compreender que sua vida não irá melhorar (ao contrário, ficará pior do que imaginam), caso venha a ocorrer uma derrota dos partidos e das forças políticas populares, democráticas e socialistas nestas eleições que se aproximam.

O Partido dos Trabalhadores tem uma enorme responsabilidade e deve estar à altura das tarefas que este momento exige. E, quando falamos no Partido dos
Trabalhadores, não nos referimos apenas aos seus dirigentes, seus parlamentares, a responsabilidade é de cada um dos seus filiados, de sua militância que devem deixar de lado tudo que venha a impedir que o Partido cumpra seu papel histórico de transformar a sociedade brasileira.

 

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