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Atleta brasileira é vítima de crime de ódio e intolerância na internet

joanna-maranhao-desabafo-olimpiadasjpg82331No último dia 21 de julho postei aqui neste blog minha opinião sobre crimes de ódio (ver http://wp.me/pZ0dd-NH). Nesta segunda-feira (08/08/2016) o Portal Comunique-se postou uma matéria sobre um estudo realizado pela Agência Nova/SB que mapeou o comportamento dos internautas brasileiros nas redes sociais, procurando mostrar um raio-x da intolerância na web. Para o sócio-fundador a Agência Nova/SB, Bob Vieia da Costa, “a intolerância nas redes é resultado direto de desigualdades e preconceitos sociais em geral , não é uma invenção da internet. O que ocorre é que o ambiente em rede facilita que cada um solte seus demônios, ao dar a sensação de um pretenso anonimato. O mundo virtual é, portanto, mais uma forma para que os intolerantes se manifestem e ampliem o seu alcance” (veja a matéria completa em http://bit.ly/2aYU3j4).

Ontem, um outro caso me deixou revoltado e o palco dessa intolerância foi os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A atleta Joanna Maranhão, da natação, chorou e desabafou contra as agressões que tem sido vítima nas redes sociais. A atleta é conhecida por sua atitude corajosa, principalmente por manifestar-se publicamente em favor da presidenta Dilma e contra o golpe. Leia abaixo alguns trechos da fala de Joanna Maranhão:

A gente precisa ter um pouco mais de respeito, um pouco mais de simpatia pelo ser humano. A gente não tem o direito de tratar as pessoas assim. Dsejar que eu seja estuprada? Sério? Porque eu não apoio o político x ou y?

(…)

Eu lutei pra caramba (choro). Eu conquistei quatro vezes o índice olímpico para estar aqui. Eu sou a melhor atleta do medley do Brasil desde os 14 anos de idade. eu não preciso que isso tenha valor para os outros. Eu preciso que tenha valor para mim. Pra mim tem valor. eu me orgulho muito da minha trajetória, da minha história. Não é que esse tipo de mensagem vai me fazer parar de nadar ou desistir.

A atleta está de casamento marcado para o dia 15 de outubro e sonha em ser professora, dar aula para criança em escola pública. “Eu preciso me sentir útil. Nadando eu me sinto útil. Eu preciso fazer alguma coisa na vida que eu sinta que estou fazendo a diferença. Aula do que for, alguma aula que eu tenha condições de estar em contato com quem está em formação. Me sinto a necessidade de ser útil. Preciso fazer alguma coisa para melhorar o país de alguma forma”, diz Joanna.

 

Não ao Golpe, fora Temer, em defesa da democracia, nenhum direito a menos!

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Reunida no dia 31 de maio de 2016 em Brasília, a Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, aprovou a seguinte resolução sobre conjuntura:

Não ao Golpe, fora Temer, em defesa da democracia, nenhum direito a menos!

Na última semana, pelo menos dois fatos confirmam o caráter golpista do processo de impeachment da presidenta Dilma: o vazamento dos diálogos gravados pelo ex-presidente da Transpetro Sergio Machado e seus correligionários, como os ex-ministros Romero Jucá e Fabiano Silveira, e o anúncio das medidas econômicas propostas pelo governo golpista de Michel Temer.

No primeiro caso, acerca do vazamento dos diálogos gravados do ex-ministro Romero Jucá, fica claro que a deposição da presidenta Dilma tem por um dos objetivos o estancamento das investigações no âmbito da Operação Lava jato relacionadas aos partidos que engendraram o golpe. Como disse Jucá: “tem que ficar onde está“, ou seja, seletivamente apenas criminalizar o PT e seus dirigentes. Nas gravações do ex-ministro Fabiano Silveira, este oferece orientações de como escapar do processo de investigação da Operação Lava Jato e suas ramificações, justamente o ministro encarregado da transparência e combate à corrupção. A suposta agenda “ética” do governo golpista se esfarela. Tudo confirma que uma das faces do golpe é a interrupção do combate à corrupção, processo que avançou enormemente com as medidas implementadas durante os governos Lula e Dilma.

Por outro lado, entendemos que motivo central para o golpe está explicitado nas medidas econômicas e de ajuste fiscal propostas pelo governo golpista e ilegítimo de Michel Temer, centrado no congelamento das despesas públicas, particularmente das dotações orçamentárias da Saúde e da Educação. A perspectiva de redução de direitos no campo da Previdência Social; de cortes no Bolsa Família, no programa Minha Casa Minha Vida, no PROUNI e no FIES, fim da politica de valorização do Salário Mínimo, fim da vinculação de recursos para educação e saúde, a abertura da exploração do pré-sal às grandes petrolíferas transnacionais, dentre outras, mostra claramente a que veio o golpe: implementar e aprofundar o programa neoliberal derrotado nas eleições de 2014.

Nesse contexto se situa, também, o fim do ministério da Cultura (medida já derrotada pelos movimentos sociais e democráticos), a configuração de um ministério sem mulheres e negros demonstra o total descompromisso com a justiça e a igualdade que está na base da luta libertária e inclusiva de jovens, mulheres, negros e segmentos LGBT. Esta agenda regressiva, se submetida ao crivo do voto popular seria novamente derrotada, como ocorreu nas quatro últimas eleições presidenciais.

A compreensão sobre a natureza do golpe cresce em diversos setores da sociedade brasileira assim como a urgência da luta pela democracia, inclusive nos segmentos que não votaram no PT ou que têm críticas à gestão petista. Crescem as manifestações contra o golpe, e em defesa da democracia no exterior, ganhando reforço e simpatia de muitos movimentos, partidos e blocos partidários do exterior. Merece destaque o papel da imprensa internacional no esclarecimento dos fatos e na produção de análises que oferecem expressivo contraponto aos setores da mídia brasileira oligopolizada que operou e tem sustentado o golpe.

O governo provisório e o bloco golpista tentam, ainda, desconstruir o governo da presidenta Dilma, anunciando devassas e “pente fino” nas ações do governo petista. Seu objetivo é tentar “vender” à opinião pública o pacote de medidas econômicas como medidas necessárias para solução da crise, buscando ainda esconder seu ministério golpista composto por inúmeros investigados de corrupção, com perfil conservador e de baixa qualidade técnica.

Em verdade, o governo usurpador, ao inflar os números em relação ao chamado déficit fiscal, pretende justificar e legitimar o programa neoliberal, com profundos cortes orçamentários voltados às politicas sociais, e fortalecer os setores rentistas ao qual devem estar submetidos, de acordo com essa lógica, os setores dinâmicos da economia.

As medidas de corte nos direitos sociais anunciadas receberam o rechaço dos movimentos sociais e das centrais sindicais como a CUT e CTB, bem como da Frente Brasil Popular e dos partidos que a compõem, como o PT, o PCdoB e o PDT e da Frente Povo Sem Medo.

Assim, frente ao caráter anti-popular, especialmente contra os mais pobres, evidenciada em cada medida de corte dos programas sociais, como Minha Casa, Minha Vida;

Frente ao repugnante conservadorismo, patente na presença de Alexandre Frota na educação; frente ao arreganho autoritário que lembra a ditadura militar, com o risco da volta do SNI e a tentativa de apagar a Comissão da Verdade;

Frente ao entreguismo do golpe imediatamente reconhecido pelos Estados Unidos e que já prepara o fatiamento da Petrobrás e a entrega do pré-sal para a petroleiras estrangeiras;

Frente a agenda econômica neoliberal dos golpistas, abertamente contra todas as conquistas dos trabalhadores e da nação brasileira;

Frente ao comprometimento do golpe com a corrupção, flagrada a cada demissão de golpista disfarçado de ministro;

Frente a ilegitimidade do golpe e o repúdio popular crescente ao golpistas;

O PT conclama à grande mobilização para derrotar definitivamente o golpe nos próximos dias e semanas e chegar à reversão necessária dos votos no Senado para reconquistar o mandato legítimo da Presidenta Dilma.

Frente à política econômica golpista, o PT reafirma o programa eleito em 2014. O neoliberalismo, que levou o mundo à pior crise internacional desde de 1929, tenta através do golpe, voltar ao comando da economia brasileira, cujo programa é a destruição de todas as conquistas populares e a entrega das riquezas nacionais aos estrangeiros. Só através de um golpe é possível implantar um programa antipopular e antinacional. Assim, o PT orienta suas bancadas e os membros do governo eleito pelo povo brasileiro em 2014 a defender com veemência o programa eleito e a denunciar intransigentemente o neoliberalismo que voltou ao comando através da única maneira possível, o golpe.

Calendário de lutas contra o golpe

Neste sentido, cumpre ao nosso partido a intensificação da luta contra o Golpe apontando:

A continuidade da participação ativa do PT e dos militantes petistas no calendário de lutas aprovado pela FBP em reunião de 21 de maio: (http://frentebrasilpopular.com.br/agenda/agenda-de-manifestacoes-contraogolpe-1703/)

1- Fortalecer as ações do partido em cada estado, junto a todos os segmentos de trabalhadores, visando esclarecer a natureza e as consequências do golpe a partir das iniciativas planejadas junto com a FBP;

2- Disseminar amplamente as medidas econômicas do governo golpista contra os direitos dos/as trabalhadores/as, identificando claramente em panfletos, materiais para redes sociais, etc. os prejuízos e retrocessos para a classe trabalhadora caso esse programa seja implementado, buscando ajudar a construir ativamente a Jornada Nacional de Paralisação do dia 10 de junho; e apoiando ativamente a construção da proposta de Greve Geral formulada pela CUT.

3- Apoiar ativamente a Paralisação Nacional de 24 horas convocada pela FUP contra a entrega do Pré Sal e a privatização da Petrobrás;

4- Frente às inúmeras mobilizações em curso e em construção, organizar uma forte presença partidária articulando com a agenda da Presidenta Dilma, do Presidente Lula, bancadas parlamentares, governadores, prefeitos e dirigentes do PT.

5- Intensificar o debate nacional sobre a necessária Reforma Política, uma vez que os espetáculos recentes da votação na Câmara (17 de abril) e votação no Senado (12 de Maio) permitiram que uma grande parte da sociedade percebesse as dinâmicas políticas e as condutas chantagistas e fisiológicas que orientam a prática de número expressivo de parlamentares;

Devemos estar na linha de frente do combate ao golpe, na defesa dos direitos sociais conquistados nos últimos treze anos e daqueles previstos constitucionalmente, bem como do legado de 13 anos de governo democrático e popular, impulsionando a mais ampla unidade de ação entre a Frente Brasil Popular, a Frente Povo Sem Medo, os fóruns de intelectuais, juristas, artistas, trabalhadores do campo e da cidade, e partidos de esquerda.

As eleições municipais no contexto da luta contra o golpe

Reveste-se ainda de grande importância a organização do nosso Partido frente às eleições municipais, nas quais deveremos estimular o debate programático em torno do projeto democrático popular e de inclusão social implementado nos últimos anos pelos governos petistas.

O novo calendário eleitoral reduziu o período de campanhas, visando com isso diminuir o tempo que as candidaturas do campo democrático popular teriam para fazer o debate de projetos e a disputa de narrativas, já que a grande mídia golpista monopoliza o discurso e tenta destruir as conquistas dos últimos anos e as lideranças de nosso Partido.

Por isso, devemos estimular desde já o debate programático com forte ação partidária, que deverá ancorar-se na defesa do legado de nossos governos como contraponto em relação à agenda regressiva derrotada nas últimas eleições, proposta pelo governo golpista de Michel Temer.

Assim, é possível e necessário que aproveitemos o processo eleitoral para mobilizar a militância e a sociedade contra o golpe; os milhares de comitês de candidatos podem, também, transformar-se em espaços de mobilização contra o golpe.

Ainda nesse contexto, devemos defender o modelo de desenvolvimento voltado à redistribuição de renda e ampliação de direitos conquistados como propulsor do crescimento, e sua incidência no plano municipal. A formulação de nossos programas de governo municipais, ancorados no legado petista dos últimos anos, deverá caracterizar-se pela ampla participação dos movimentos sociais, das novas organizações populares e sociais nascidas do enfrentamento do Golpe, do movimento sindical, dos movimentos culturais e democráticos. Esse processo democrático e participativo de construção de programas deve ainda consolidar um forte compromisso de nossos/as candidatos/as com os movimentos sociais e populares de cada município.

#NãoaoGolpe
#ForaTemer
#VoltaDilma
# NenhumDireitoaMenos

Brasília, 31 de maio de 2016
Comissão Executiva Nacional do PT

Eleições 2016: resistir, denunciar, defender e recuperar os espaços institucionais

Esta é a palavra de ordem da Direção Nacional para os filiados e a militância petista, de acordo com a Resolução sobre as Eleições 2016, aprovada em 17 de maio de 2016:

Nesse sentido, as eleições deste ano, que se realizam paradoxalmente sob um golpe instalado no país, serão ao mesmo tempo uma frente de resistência, de denúncia e de defesa do nosso projeto, mas também de recuperação de espaços institucionais. (grifos nossos)

Resistir é não aceitar o golpe perpetrado por forças retrógradas, conservadoras, de direita, entreguistas, não dando tréguas ao governo ilegítimo de Michel Temer, ocupando as ruas, prédios, participando, organizando, apoiando as ações da Frente Brasil Popular, Povo em Medo, MST, as manifestações estudantis, da juventude.

Denunciar a todo momento, a toda hora o governo usurpador com suas medidas antipopulares, utilizando-se de todos os meios possíveis, seja nas redes sociais, nas rodas de conversa, aproveitando toda e qualquer oportunidade. Hoje, muitos daqueles que apoiaram o afastamento da presidenta, se envergonham do que se sucedeu, não esperavam tamanho retrocesso. E, a cada dia, fica mais claro para todos os brasileiros que o governo foi tomado de assalto, a democracia foi aviltada, golpeada, com consequências danosas e perversas para a ampla maioria da população. A máscara caiu. O vazamento da conversa entre Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, e Romero Jucá, uns dos mais próximos integrantes do círculo de conspiradores de Temer e principal articulador, na Câmara e no Senado, dessa farsa do impeachment, mostrou o verdadeiro objetivo do por quê de afastar a Dilma do governo.

Eu ontem fui muito claro. […] Eu só acho o seguinte: com Dilma não dá, com a situação que está.

(…)

Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então… Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir.

(trechos da fala de Romero Jucá)

Defender o projeto político que fez em 2002 “a esperança vencer o medo”, que operou, conforme bem classificou Leonardo Boff,  “uma revolução popular, democrática e pacífica conquistada no voto” porque “não ocorreu apenas uma alternância do poder, mas uma alternância de classe social”, isto é, “um representante dos ‘lascados’ e sempre colocados à margem chegou ao mais alto cargo da nação”. Graças a esta revolução milhões de brasileiros e brasileiras tiveram suas vidas transformadas, os “sem-direitos” passaram a ter direitos, não apenas no papel, assegurados na Constituição, porém nunca verdadeiramente efetivados. Com Lula, Dilma, o PT e seus aliados, houve uma ascensão na pirâmide social, permitindo que o trabalhador, o assalariado, os mais pobres e miseráveis, não só aspirassem a uma vida melhor, mais digna, mas passassem a ter a possibilidade real de usufruir dos bens de consumo que apenas alguns tinham direito: viajar, ter sua casa própria, ter seu carro, sua televisão, sua geladeira, ver sua filha, seu filho se formar numa universidade, ter seu diploma de “doutor”, ter seu emprego “de carteira assinada”. Esse é o legado que deve ser defendido por todos os homens de boa vontade, os que combatem o bom combate!

A luta não terminou. Não vamos baixar o estandarte. As eleições de 2016 são a nova trincheira, daí a Resolução de 17 de maio de 2016 falar em “recuperação de espaços institucionais”.

Através das vitórias que obtemos nos espaços institucionais, queremos acumular forças para aprofundar a democracia, melhorar a vida do povo e estabelecer uma contra-hegemonia na sociedade, a fim de fazer avançar nosso projeto de País.

Para alcançar êxito nas milhares de disputas que o PT irá travar em 2016, precisamos, desde já, construir as condições políticas aptas a promoverem um elevado grau de unidade interna e de mobilização, associados à formação e capacitação da militância.

O desafio está posto. Trata-se não só da sobrevivência de um partido, do PT, mas de um projeto político, social e econômico. Trata-se da vida de milhões de brasileiros e brasileiras, da defesa da primeira geração de crianças livre da fome e de garantir um futuro de oportunidades, digno e humano às que estão por vir. Por isso temos que nos manter mobilizados, continuar nas ruas e aproveitar o momento político eleitoral para resistir, denunciar, defender o projeto e recuperar espaços institucionais, no caso, as prefeituras municipais que estarão em disputa.

Para o PT isso significa “construir as condições políticas aptas a promoverem um elevado grau de unidade interna e de mobilização, associados à formação e capacitação da militância”. Nossos dirigentes têm uma grande responsabilidade na condução desta tarefa, senão essa Resolução será letra morta.

Construir as condições políticas é ser capaz de compreender o momento político atual, a conjuntura que está posta e que nos impõe, nos obriga a dar uma resposta contundente, firme contra o golpe que nos foi imposto. O pleito de 2016 será fundamental para dar uma resposta à altura, derrotando as candidaturas dos partidos que apoiaram e articularam o golpe. As eleições municipais de 2016 não será (e não poderá ser) uma campanha apenas para o debate local, onde os temas centrais se resumam a coleta do lixo, aos buracos nas ruas e vias da cidade, a falta de médicos e medicamentos nos postos de saúde, a mobilidade urbana, ao preço da passagem dos ônibus, a educação infantil, como se nada tivessem a ver com o que está acontecendo no cenário nacional. Deveremos aproveitar esse momento para denunciar o golpe, o ataque à democracia, aos direitos sociais, humanos, políticos e econômicos de todos os brasileiros. Tudo isto deverá pautar a agenda e os debates das eleições municipais, atingindo os corações e as mentes da população e dos eleitores que precisam compreender que sua vida não irá melhorar (ao contrário, ficará pior do que imaginam), caso venha a ocorrer uma derrota dos partidos e das forças políticas populares, democráticas e socialistas nestas eleições que se aproximam.

O Partido dos Trabalhadores tem uma enorme responsabilidade e deve estar à altura das tarefas que este momento exige. E, quando falamos no Partido dos
Trabalhadores, não nos referimos apenas aos seus dirigentes, seus parlamentares, a responsabilidade é de cada um dos seus filiados, de sua militância que devem deixar de lado tudo que venha a impedir que o Partido cumpra seu papel histórico de transformar a sociedade brasileira.

 

Como o golpe atinge a população negra?

Como o golpe atinge a população negra?

por Mariana Lopes

Ir à Brasília, estar com pessoas de todos os cantos do Brasil, e, finalmente, ver a Esquerda, quase em sua totalidade, unida, me trouxe a certeza de estar do lado certo, sofrido, mas certo. Caminhar por um objetivo, um sonho; muitas vozes e um só grito: “Não vai ter golpe; vai ter luta!”

A força da militância está na luta cotidiana como também nas adversidades enfrentadas em momentos de grandes decisões. Sem dinheiro, com a alma e um colchão na mão, fomos para as trincheiras da Esplanada lutar pela democracia do nosso país, ameaçada por um golpe de estado, orquestrado por um congresso fascista, racista, machista e homofóbico. Lá, acampados como uma grande família, trocamos olhares, gestos, alimentos, água e muita energia… companheiras e companheiros, a nossa união é a nossa força!

Aguardamos a votação de aprovação do processo de impeachment, sentados e deitados em frente aos ministérios. Aquele chão nos pertencia ainda mais naquele dia. Era latente o desejo de uma vitória da Esquerda, daqueles que de fato pensam o Brasil pela via do social. Nas ruas vimos não só a militância orgânica dos partidos, mas toda uma população ávida por justiça social. A população negra, indígena, LGBT, operária, doméstica etc. também se fez presente em Brasília. Com isso, percebemos o quanto há de pluralidade e diversidade de pessoas e pensamentos dentro do próprio Partido do Trabalhadores (PT), como em outros movimentos, coletivos e partidos de Esquerda.

Apesar de todo sentimento de orgulho que me invadiu por fazer parte daquele momento histórico, com aquelas pessoas, com o meu grupo, uma questão ainda pulsava: como fica a questão racial nesse mundo polarizado que vivemos hoje? Afinal, com golpe ou não, continuamos pretos.

A palavra Democracia, assim como Estado Democrático de Direito, foi utilizada exaustivamente nos últimos tempos, durante as manifestações, para se tentar combater o golpe disfarçado de Impeachment. No entanto, após os acontecimentos de 17 de abril de 2016, vimos que sua legitimidade está fragilizada e ameaçada. Sabemos que de fato o Estado Democrático de Direito não chegou às favelas e periferias brasileiras, visto que são alarmantes os índices de mortes diárias de pretos e pobres nas cidades, principalmente de jovens. Como vimos recentemente no caso de Luana Barbosa, mulher negra e lésbica, que faleceu após ser espancada por policiais militares, na periferia de Ribeirão Preto-SP. Diariamente, a história se repete, são muitos Amarildo, Cláudia Ferreira, Rafael Braga… e o genocídio do povo preto é provido pelo Estado.

Mesmo depois de três mandatos de um governo progressista e de esquerda, a população negra ainda é a mais marginalizada; a juventude negra a que mais morre; os empregos subalternos ainda são destinados a nós; nossa saúde, bem-estar, segurança e educação continuam negligenciados. Números apontam que a violência contra as mulheres brancas diminuiu cerca de 11,9%, enquanto contra as mulheres negras houve uma crescente de 19,5%, de acordo com o Mapa da Violência de 2015. A violência obstétrica também faz parte do cotidiano de negras ao darem à luz; do pré-natal ao parto sofrem com o descaso médico, recebem menos anestesia e demoram mais para serem atendidas.

No entanto, mesmo considerando algumas contradições que se apresentam nesse atual governo, inegavelmente, os últimos anos possibilitaram uma mudança real na vida de negras e negros. Contudo, o ingresso nas universidades e a melhoria na qualidade de vida dessa parcela da população, ainda que de maneira singela, não ocorreram por bondade ou caridade de uma política de governo, mas sim pela luta de negras e negros dentro da militância política.

Não somos tolos de acreditar que a esquerda branca nos dará espaço e retrocederá em seus privilégios, portanto, as conquistas da população negra são e serão frutos de muita luta. O contrassenso é evidente, porém, não podemos deslegitimar os movimentos de esquerda, que sim, são majoritariamente brancos, mas ainda sim são os que podem possibilitar as transformações sociais que almejamos.

Nesse momento de instabilidade política, remetemo-nos à nossa memória histórica dos períodos ditatoriais no país e vemos que nesse período mais uma vez fica evidente a invisibilidade projetada à população negra. Temos grandes referências negras na luta pela democracia, como por exemplo, Osvaldão, guerrilheiro do Araguaia; Carlos Marighella, que era filho de um imigrante italiano com uma negra descendente de escravos; Luiz José da Cunha, o Comandante Crioulo; Alceri Maria Gomes da Silva; dentre outros.

Durante o governo Médici, em 1969, houve a proibição de se noticiar temas sobre índios, esquadrão da morte, guerrilha, movimento negro e discriminação racial. O governo brasileiro estava assistindo a luta pelos Direitos Civis nos Estados Unidos, com figuras e movimentos de referência como Martin Luther King, Malcon X e o Partido Panteras Negras, e o receio de que essa “onda negra revolucionária” eclodisse no Brasil motivou, por exemplo, a repressão ao movimento Soul no país, que tinha como objetivo a valorização da cultura negra; documentos citam a constante vigília a esses movimentos.

De acordo com Nelma Monteiro:

“Os Movimentos Negros das décadas de 1970 e 1980, ao colocarem em suas agendas as denúncias de racismo institucional, de racismo à moda brasileira e da farsa da democracia racial, demarcaram um campo de força política imprescindível na conquista por direitos civis, políticos e materiais. Apesar do período de repressão militar, surgiu em São Paulo o Movimento Negro Unificado (MNU) contra o Racismo – uma reação à ideologia dos militares que apregoavam e sustentavam a existência da democracia racial no Brasil.

No final da década de 1980, foi inequívoco o avanço dos Movimentos Negros em seu projeto político de denúncias de racismo institucional. É preciso lembrar a inegável contribuição desses segmentos que, com suas diferentes correntes e tendências, vêm contribuindo na construção de políticas afirmativas de valorização da população negra.”

Quando se fala dos que lutaram contra a Ditadura Militar, geralmente, são lembrados somente os jovens estudantes brancos; apagou-se da história a militância de negras e negros durante esse período. Fomos sim parte importante dessa história, mas o racismo não nos constrói como heróis e protagonistas. Os estudantes universitários, em sua maioria universitários, em sua maioria brancos, foram considerados presos políticos, enquanto os jovens negros foram enquadrados como presos comuns. Quem acredita que aquele “pretinho ou pretinha” estaria lutando pela democracia do país? Enfim, em sua maioria, foram enquadrados em crimes como furto e tráfico de drogas.

Nesses últimos 13 anos, o governo errou em alguns campos cruciais, um deles foi a não democratização da mídia. A mídia brasileira pode ser considerada o “quarto poder”, pois ela dita as regras de comportamento da sociedade e manipula fatos de acordo com os interesses do grupo a que pertence ou quer beneficiar. Jogo de interesses! Vemos diariamente o espetáculo midiático das emissoras de televisão, sensacionalistas, protecionistas, capitalistas e elitistas. Para a população negra a mídia nunca foi cordial; nossa imagem sempre foi estereotipada, perpetuando estigmas através de personagens hiperssexualizadas para as mulheres negras, ou como empregadas domésticas, alcoólatras, bandidos, motoristas. Os meios de comunicação sempre se utilizaram do racismo para esfacelar a autoestima e a identidade do povo negro.

Nos mesmos tempos áureos da Ditadura, em 1969, estreou na TV Globo a telenovela A Cabana do Pai Tomás. Na trama, Pai Tomás (Sérgio Cardoso) e Cloé (Ruth de Souza) lideravam a luta negra pela liberdade no sistema escravocrata estadunidense. Para se passar por negro, o ator pintava o rosto e o corpo de preto, prática chamada de blackface. Hoje, essa prática não é mais comum na televisão, no entanto, negro e negras continuam atuando em papéis pré-definidos por um imaginário racista, como os já mencionados. De acordo com o libro “Memória da Telenovela Brasileira”, de Ismael Fernandes, de 1963 (ano da primeira novela exibida no Brasil) a 1998, cerca de 520 novelas foram ao ar; apenas 200 delas (ou 38,4%) contavam com atrizes e atores negros.

Dessa forma, não é surpreendente a criminalização dos movimentos estudantis, sindicais e de partidos pelos meios de comunicação. As ações truculentas da polícia militar nas manifestações ocorrem da mesma forma nas favelas e periferias; ser suspeito é o imaginário majoritário destinado aos negros e negras. Sendo assim, após evidenciar o apagamento da população negra da história, da sociedade, da política e do fomento de políticas públicas, é gritante a urgência em fortalecer o protagonismo negro na luta contra o Golpe, pois, sem dúvida alguma, seremos os mais atingidos com esse tal maniqueísmo político que surge. Nessa queda de braços entre as forças que puxam mais para a Direita ou para a Esquerda já escolhemos o nosso lado, agora devemos nos colocar à frente dos debates, dos partidos, dos movimentos, dos coletivos, das luzes, dos palcos, das ruas… da luta!

  • Mariana Lopes, Graduada em Direito, Diretora de Combate ao Racismo da UEE/RJ, militante do Enegrecer.

Mais uma semana decisiva para a Democracia, mas não acaba aqui.

Pois é, começamos esta segunda-feira, dia 11 de abril de 2016, com as atenções voltadas para Brasília, precisamente a Câmara dos Deputados, onde a Comissão Especial do Impeachment irá votar o parecer do relator do deputado Jovair Arantes (PTB-GO) favorável a instauração pelo Senado do processo de impedimento da presidenta. É uma semana decisiva? Sim, as forças reacionárias, de direita, fascistas, entreguistas, reunindo o que há de pior na política e na sociedade brasileira, tentarão a todo custo capitalizar o resultado da comissão, que sabemos de antemão que será favorável ao afastamento de Dilma. No entanto, esta semana é só mais uma das semanas decisivas para os movimentos populares, os trabalhadores, os artistas, intelectuais e todos aqueles setores da sociedade que compreendem a gravidade da situação atual e, principalmente, percebem a ameaça real à Democracia e aos Direitos Sociais que este movimento golpista está engendrando há tempos e que ganhou força e forma a partir da derrota que o PSDB e seus aliados, nas eleições de 2014, até hoje não aceita por eles. Esta semana decisiva não acaba aqui, é apenas mais um capítulo da nossa  luta de classes, luta que vai ficando cada vez mais clara para a maioria da população que hoje já percebe, ainda meio confusa, graças a ação da grande mídia nacional (Globo, Veja, Isto É, Folha de São Paulo, Estadão, entre outros), que um golpe está em curso e isso não será nada bom para nosso povo.

O script, o roteiro já está escrito. Não há o que se desesperar. Não há como vencer nesta Comissão. É preciso nos concentrarmos na votação que será realizada no plenário da Câmara, onde eles e não nós, atentemos para isto, eles necessitam de 342 votos para abrir o processo de impeachment da presidenta. Nosso script também está pronto. É segui-lo com todo fervor, firmeza e determinação que o momento nos exige. No Brasil inteiro a Frente Brasil Popular, a Frente Povo sem Medo, os Movimentos Sociais, Sindicais, Partidos Políticos de Esquerda e Democráticos estão convocando a militância e a população para uma agenda de luta e resistência que irá até a data da votação da recomendação da Comissão Especial do Impeachment na Câmara dos Deputados. Vamos todos nos integrarmos a esta agenda, participar das atividades em defesa da Democracia, dos Direitos Sociais e contra o Golpe. Esta é a nossa tarefa mais premente para o momento. Veja abaixo:

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Calendário contra o impeachment em Fortaleza- Frente Brasil Popular (sujeito a alterações)-

Segunda-feira (11/04)

4h30 – Aeroporto (Recepção dos/as parlamentares)

17h – Praça da Gentilândia – Assembleia Movimento Ceará contra o Golpe e pela Democracia, com a exibição, em telões, do ato de cultura no RJ com a presença de Chico Buarque

Terça-feira (12/04)

17h – Bandeiraço e panfletagem no cruzamento das avenidas Themberg e Leste-Oeste, com caminhada até o antigo Kartodromo

Quarta-feira (13/04)

17h – Bandeiraço no cruzamento da Avenida Historiador Raimundo Girão com Rua Idelfonso Albano. Após a concentração, segue a caminhada até o local do show do Alceu Valença.

Sexta-feira (15/04)

15h – Cortejo pelo Centro, com concentração em frente ao Theatro José de Alencar, com Maracatus e Bandinhas, e encerramento na Praça do Ferreira

16h – Intervenção Cultural nos Terminais

Sábado (16/04)

20h – Vigília na Avenida da Universidade. A via será fechada do sinal do IDT até a Praça da Bandeira.

Domingo (17/04)

9h – Transmissão, por meio de telões, da sessão de votação do impeachment .

Participe ! Divulgue !